Saúde

Febre do Nilo Ocidental: o que é, sintomas e tratamento

A Febre do Nilo Ocidental é uma zoonose causada por um arbovírus (vírus transmitido por artrópodes, como mosquitos) que vem chamando a atenção de autoridades de saúde em diversas partes do mundo.

Transmitido principalmente pela picada de mosquitos infectados do gênero Culex (o famoso pernilongo comum), o vírus utiliza aves silvestres como seus hospedeiros naturais e hospedeiros de amplificação. Humanos e outros mamíferos são considerados hospedeiros acidentais e finais, pois não produzem carga viral suficiente no sangue para dar continuidade ao ciclo de transmissão do vetor.

Apesar de ser uma doença antiga e bem documentada globalmente, seu avanço epidemiológico exige atenção constante da população e dos profissionais de saúde.

Na maioria das pessoas, a infecção passa de forma assintomática ou muito leve, mas em um pequeno percentual dos infectados ela pode acometer o sistema nervoso central e gerar quadros graves de meningite ou encefalite.  Compreender como a doença se manifesta e quais são os cuidados essenciais é a melhor ferramenta de prevenção.

Febre do Nilo Ocidental: O que é, sintomas e tratamentos

O que é a Febre do Nilo Ocidental

É uma infecção viral causada pelo Vírus do Nilo Ocidental (VNO), pertencente à família Flaviviridae (mesma família de vírus como dengue, zika e febre amarela). A principal forma de transmissão é a picada de mosquitos do gênero Culex que picaram aves contaminadas.

Sintomas em humanos

Cerca de 80% das pessoas infectadas não apresentam sintoma algum. Nos 20% que desenvolvem sintomas, os sinais surgem em média entre 3 e 14 dias após a picada e incluem:

  • Febre alta de início repentino
  • Dor de cabeça e dores musculares
  • Náuseas, vômitos e perda de apetite
  • Manchas avermelhadas na pele (exantema) e gânglios linfáticos inchados (ínguas)
  • Casos graves (<1%): Rigidez de nuca, confusão mental, tremores, fraqueza muscular, convulsões e paralisias.

Tratamento para febre do Nilo Ocidental

Não existe um medicamento antiviral específico direcionado contra o vírus. O tratamento é sintomático e de suporte: repouso, hidratação adequada e uso de analgésicos e antitérmicos. Em casos neurológicos graves, é indispensável a internação hospitalar (às vezes em UTI) para monitoramento e suporte das funções vitais.

O vírus do Nilo Ocidental tem cura?

Sim, a doença tem cura. Na vasta maioria dos casos, o próprio sistema imunológico do indivíduo é capaz de combater o vírus e eliminar a infecção espontaneamente em poucos dias ou semanas. A cura ocorre pelo controle que o organismo faz da proliferação viral, mesmo que não exista um remédio “destruidor do vírus”. Em episódios graves, o diagnóstico precoce e os cuidados intensivos de suporte são fundamentais para garantir a recuperação do paciente sem sequelas duradouras.

Quais são os sintomas da Febre do Nilo Ocidental em equinos?

Assim como os humanos, os cavalos e outros equídeos são hospedeiros acidentais suscetíveis às manifestações neurológicas. Embora muitos cavalos expostos não fiquem doentes, os equinos sintomáticos apresentam quadro predominantemente neurológico:

  • Dificuldade de locomoção e falta de coordenação motora (ataxia/membros fracos)
  • Tremores musculares e fasciculações no focinho ou lábiosFebre e prostração (apatia)
  • Sensibilidade alterada a sons e toque
  • Tropeços, incapacidade de ficar em pé (permanecer deitado por longos períodos)
  • Paralisia de membros ou paralisia facial
  • Nota: Diferente dos humanos, existem vacinas aprovadas para uso veterinário que protegem cavalos contra o Vírus do Nilo Ocidental.

Há casos de Febre do Nilo Ocidental no Brasil?

Sim. A presença do vírus no Brasil é monitorada há anos. O primeiro isolamento direto do vírus em animais no país ocorreu em 2018 (em cavalos no Espírito Santo), e o primeiro caso humano confirmado foi registrado no Piauí em 2014.

O Brasil tem registros em humanos e animais em diferentes estados, como Piauí, São Paulo e Santa Catarina. Por se tratar de um vírus mantido na natureza por aves migratórias e mosquitos comuns, o Ministério da Saúde e os órgãos estaduais mantêm vigilância epidemiológica constante para identificar a circulação do vírus e conter surtos locais.

Prevenção é o melhor remédio

A principal maneira de prevenir a Febre do Nilo Ocidental é impedir a proliferação e a picada dos mosquitos transmissores. Medidas simples fazem toda a diferença:

  • Eliminar potes, pneus e recipientes com água parada (criadouros de pernilongos).
  • Aplicar repelente na pele exposta, especialmente no final da tarde e à noite.
  • Usar telas protetoras em janelas e portas.
  • Dar preferência a roupas de manga longa e calças ao frequentar áreas rurais ou próximas a matas e rios.

Formada em Moda, trabalha com conteúdo para internet há mais de 7 anos.

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